Um exercício plural da manifestação do "Eu Lírico" (Representação de Múltiplos Personagens Através da Poesia)
sábado, 19 de maio de 2012
A Cadeira Vazia
Eis que um dia
Após tediosos trajetos
Marcante espiritualidade
Assenta-se perto
De mim
Alguns pares de horas
Transcorridas sem pressa
Simbiose de vida
Compartilhada espontaneamente
O tempo que voou
Não voltará atrás
E a cadeira mesmo que ocupada
A partir de hoje, ao meu lado
Estará vazia
Pois, como água de rio
Que jamais volta a mesma posição
Quem quer que ocupe
O mesmo lugar
Não terá a mesma complexidade
A mesma naturalidade
A mesma alegria de viver
Mas, a cadeira, apesar de vazia
Sempre irá me fazer lembrar
Das sensações despertadas em mim
Do meu renascimento
Como é bom sentir-se vivo
Outra vez!
A cadeira vazia
Sempre irá me lembrar
Do principal ensinamento
De todos
Sem Deus no coração
Não realizamos nada
Pois a nossa essência
Está perdida
Sem a Divindade
Mola mestra
De todo o nosso existir
A cadeira, apesar de vazia
Me preencherá o espírito
Me trará um sorriso ao rosto
Me faz e fará ver
Que a vida
Acontece
Através das surpresas
Do inesperado
Daquilo que te impressiona
Sem aviso
Simplesmente surgindo
Como um presente de Deus
Fernando Luiz
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Rotulagem
Somos feios
Somos bonitos
Somos sábios
Somos ignorantes
Somos isso
Somos aquilo
Na mente das pessoas
Não existe meio termo
Quando fazem adjetivações
A terceiros
Em suma,
Somos rotulados
Não existe qualquer pessoa
Integralmente calma
Inteiramente estressada
Completamente competente
O tempo todo maledicente
O ser humano
Limitado
Prefere compactar as informações
É bem mais fácil julgar o outro
Pelo estereótipo
Pela análise simplista
Esquecendo-se quase sempre que
Cada individualidade
É naturalmente
E indiscutivelmente
Plural
Fernando Luiz
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Ilha do Mar
Desde sempre em mim
O
mar desperta o melhor
Me
banhando a alma
Vitalizando-me
a essência
É
uma quimera morar
Dentro
do grandioso mar
Onde
ao mergulhar em suas profundezas
Acabe
por achar uma Ilha (A Ilha)
Mar
que cumpre ciclos
Envia
ondas que sofrem periodização
Algumas
destas ondas trazem alíquotas de água
Que
banharam por instantes a superfície da Ilha
E
são nestes momentos
Breves,
porém intensos
Que
meu coração palpita com vigor
Por
sentir toda a paz
Emanada
pela sua existência
No
retorno da onda ao mar
Abandonando-me
Preencho-me
de saudade
Com
esperança de um dia segui-la
Para
finalmente encontrar
A
longínqua Ilha
Ilha
bela, porém solitária
Onde
já passaram alguns
Incautos
navegantes
Que
a Ilha recebeu
Com
todo amor que poderia
Mas
o desespero comandava
O
coração destes homens perdidos
Buscavam
apenas a salvação
De
um iminente naufrágio
Estes
homens já naufragavam
Em
suas próprias pálidas essências
Antes
de encontrarem a Ilha
E
continuam o processo
Mesmo
sob seu abrigo
Por
nunca entender
O
significado da existência
Do
encontro entre eles
E o pequeno pedacinho de terra
Cercado de água (vida)
Por todos os lados
E o pequeno pedacinho de terra
Cercado de água (vida)
Por todos os lados
Ao
contrário destes insensíveis homens
Eu
procuro a Ilha por amá-la
Porque
sei que ela é a moradia perfeita
E
não apenas um ponto de apoio
De
suporte para as minhas egoístas necessidades
Ao
habitar o coração da Ilha
Minha
obrigação maior:
O
comprometimento com a sua existência
Cuidando
amorosamente de todos os seus problemas
Envolvido
com o intenso amor irradiado por ela
Igualmente
me acolhendo e cuidando
Linda
Ilha
Sei
que um mar nos separa
Mas
ao sentar a beira dele
Projeto
o nosso encontro
Com
uma calma inexplicável sob a luz
Da
razão humana
Esperando
o momento com paciência
Pois
o amor não traz inquietação
E
sim paz de espírito
Preenchido
por essa paz
Tenho
a certeza que um dia
Este
mesmo líquido que nos separa
Haverá
de, um dia, nos unir
Por
nossa comunhão de ideais
Semelhanças
existenciais
Que
inexoravelmente irão nos aproximar
Pela
força das ondas do Mar.
Fernando
Luiz
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
O silêncio
O grito abafado
De inconformidade
Em primeira instância
Denuncia a interna angústia
Com o passar do tempo
Cansado de gritar - em silêncio -
Minha garganta fraqueja
Sem forças para relutar
A inquietude inicial transforma-se
Numa aceitação de que não se pode
Comandar a consciência das pessoas
E demovê-las de seus pueris melindres
E mesmo no ardor maior
Mantive a ebulição controlada
Acatando com decência e sem escândalo,
Suportando (em silêncio) a perda que me foi imposta
Fernando Luiz
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Melindre
Copo frágil
Que se quebra
Ao menor ruído
Ou abalo
Assim são
As relações
Que se desgastam
Por motivos pueris
Creia nisso
A solução não é
Evitar pisar em ovos
Não hesite
Compre copos mais resistentes
Selecione relações de melhor valor
Fernando Luiz
Que se quebra
Ao menor ruído
Ou abalo
Assim são
As relações
Que se desgastam
Por motivos pueris
Creia nisso
A solução não é
Evitar pisar em ovos
Não hesite
Compre copos mais resistentes
Selecione relações de melhor valor
Fernando Luiz
sábado, 31 de dezembro de 2011
Esperanças
Eu quero os melhores sorrisos
As melhores companhias
Os melhores momentos
Porque esse é o objetivo da vida
Viver com leveza
Pensar com clareza
E ter a certeza
De que ser feliz é o que importa
Quero em um dia fugaz
Declarar sem mais
Que a paz
Finalmente em meu peito jaz
Que a partir de hoje
Eu inicie a mudança
Que me trará um dia
Depois da tempestade (necessária)
A bonança
Tempos de esperança
Florescem em meu coração
Porque o futuro
É agora
E sem mais
Marcho firme
Em busca de (minha) paz
Fernando Luiz
As melhores companhias
Os melhores momentos
Porque esse é o objetivo da vida
Viver com leveza
Pensar com clareza
E ter a certeza
De que ser feliz é o que importa
Quero em um dia fugaz
Declarar sem mais
Que a paz
Finalmente em meu peito jaz
Que a partir de hoje
Eu inicie a mudança
Que me trará um dia
Depois da tempestade (necessária)
A bonança
Tempos de esperança
Florescem em meu coração
Porque o futuro
É agora
E sem mais
Marcho firme
Em busca de (minha) paz
Fernando Luiz
Auto-Engano
Perdão é algo nobre
Não se ache evoluído
Se as mágoas preenchem
O seu coração contraditório
Julgar e condenar alguém
Por um erro que eu também cometo
É errar duplamente
Pelo julgamento e pela hipocrisia
É justo que se faça uma análise
Se eu realmente evoluí como ser humano
Ou continuo enganando a mim mesmo
Portando as mesmas imperfeições, com roupagens diferentes
Achar-me melhor que ontem
Pode ser um ledo engano
Pois posso ser um versátil pierrot
Que no carnaval da vida, todo dia, troca de máscara
Fernando Luiz
Não se ache evoluído
Se as mágoas preenchem
O seu coração contraditório
Julgar e condenar alguém
Por um erro que eu também cometo
É errar duplamente
Pelo julgamento e pela hipocrisia
É justo que se faça uma análise
Se eu realmente evoluí como ser humano
Ou continuo enganando a mim mesmo
Portando as mesmas imperfeições, com roupagens diferentes
Achar-me melhor que ontem
Pode ser um ledo engano
Pois posso ser um versátil pierrot
Que no carnaval da vida, todo dia, troca de máscara
Fernando Luiz
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