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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Viagem

Já não mais lembro
O dia em que dei
O primeiro passo
Nesta ímpar viagem

Espanto-me com
O ganho cognitivo
Das diversas
Experiências vividas

Porém, reconheço
Que o caminho trilhado
Induziu em mim
Comportamentos cartesianos

A verdade
Sempre deve ser dita
Mas existem diversas
Maneiras de dizê-la

A verdade existe
Em função do amor
E da educação
Eis a verdade construtiva

A verdade
Em função de si própria
É acusatória e fragilizadora
Eis a verdade destrutiva

Com as pessoas
Que nos são mais caras
A segunda verdade
Não deve ser usada jamais

Postas estas observações
Projeto o caminho de volta
Nesta ímpar viagem
Que é a minha vida

Fernando Luiz



domingo, 9 de março de 2014

A Hora Certa


Talvez, aos olhos de muitos
Seja eu considerado louco
Se acaso confessar
Que abandonei
A mulher que mais amei

Talvez até a própria amada
Tenha se convencido disto
Pelas palavras mal colocadas
E pelos mal-entendidos criados

O amor não é
O mais fácil dos sentimentos
É, na verdade,
O mais importante deles

Para ser pleno
Não creio em contos de fadas
Sim, ele precisa
Ser cuidado e trabalhado

Pessoa certa
Na época errada
A minha imaturidade
Não me permitiria
Àquela altura
Acertar

O que começa errado
Não pode terminar certo
Prefiro pensar
Que você foi a pessoa "errada"
Que apareceu na hora certa

Hora que me fez
Refletir, repensar
Todas as minhas atitudes
E traçar um novo caminho
Procurando então,
Errar o menos que puder

Então, você representa
Um divisor de águas
Marco importante
Da metamorfose
Que está fazendo de mim
Alguém mais sereno
Alguém que na vida
Através da sobriedade
Tem procurado fazer
As melhores escolhas
Ferindo o mínimo possível
E cuidando ao máximo permitido

Então, por mais que pareça loucura
O afastamento foi importante
Para que com o tempo
Pudesse elaborar melhores conceitos
Os reais conceitos
Acerca da nossa relação

E concluo
Não limitando
O espaço
A este mundo físico
Nem o tempo
A esta nossa existência
Que a Hora Certa ainda irá chegar

Eu sei disso
E você também sabe
E basta apenas isto
Para que o meu Espírito
Se preencha de serenidade
E espere calmamente
A chegada da Hora Certa

Fernando Luiz

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Imunização

Dos teus lábios
Saem as mais doces mentiras
Uma cobra que induz o homem
A morder a maça envenenada

O incauto se inebriaria
Com as tuas amorosas falácias
Que à menor pressão
Se esvaem
Como castelo de cartas

Sofrível é a mulher que encanta
Usando como força motriz
A carência imposta
Por outra relação fracassada
Ela busca
Sem sucesso
Preencher o vazio
Com o nada

Flerta,
Busca ser desejada
Envia sinais,
Que os tolos captam
E mergulham
Mal sabem
Que seus ensejos
São para eles
Areia movediça

Vacinar-se é a melhor estratégia
Os menores sinais denunciam
A sedutora infértil
Seu exagero
Seu olhar perdido
Atestam sua esterilidade

Dela nada se extrai
Nada se cria
A não ser
Fugazes prazeres

O pueril
Sangra
Tal qual hemofílico fosse
O imunizado
Contrai uma leve escoriação
Que o menor dos esparadrapos
Se torna capaz de curar

Fernando Luiz

segunda-feira, 25 de março de 2013

Porque não você

Você não me conhece
Em parte por viver comigo uma fantasia
Em parte por não me deixar entrar na tua realidade
E em parte pelo meu medo de ser feliz
Ou pela certeza incerta, de ser infeliz

Na prática
Você não me convidou
A viver
No país das maravilhas
Na hora H
Não mostrou nada
Só um choro
Que rapidamente se esvaiu

E se sofreu
Foi de forma egoísta
E velada
E amor é troca
Compartilhar
Dores e sabores
Infelizmente, pavimentamos apenas suspiros
Voláteis
Não construímos nada
Pela superação de desafios
Sobrepujando a dor
Sorriso fácil
Nunca foi símbolo
Irrefutável de amor

Confidenciei
Que declarar amor
Só o faria
Na certeza
De ser perene
E tenha certeza
Eu sei
Daquilo que foi proferido
Pois a intensidade
E a veracidade
Da declaração
Permanecem na mesma intensidade

Você, bipolarmente
Se apaixona intensamente
E odeia intensamente
E a sua instabilidade
É fatal
Para o meu equilíbrio
Sem sombra de dúvidas
Não suportaria
E não me permitiria
Viver ao sabor
E à sombra
De suas emoções
Incompatível
À minha personalidade
Ser marionete
De uma mulher
Mesmo sendo aquela
Que mais amei
E que ainda amo

O orgulho é um sentimento nocivo
O desprezo é uma atitude torpe
Sentir orgulho pelo desprezo
Infla o seu ego
Como um balão infantil
Lindo, colorido e imponente por fora
E cheio de ar, vazio, por dentro
Saiba que, o que nos preenche,
Apenas
Não é o orgulho
E nem o desprezo
É o amor
Que você tanto insiste
Em negar
Ou esconder

Amo e sinto pena
De ti

Eis alguns dos motivos
Que explicam, pelo menos por agora
Pelo menos por essa vida

Porque não você...

Fernando Luiz

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ocioso Perdão Silencioso



Não me permito
O abalo
Por querelas
Que fogem ao meu controle

Tudo foi feito
Para apaziguar
A aceitação das desculpas
Parte de quem as recebe
E não de quem as pede
Repetidas vezes

O perdão silencioso
Tem poucos méritos
Porque só eu sei
Que perdoei
Mas continuo querendo
Que o outro
Sofra as consequências
Do meu orgulho ferido

Será que a ofensa
É tão grave assim
Para que eu me magoe
Por tanto tempo?

Água que corre
Vida que passa
E renasce
Não me permito mais
Chorar o leite derramado
E sim recompor o copo
Esvaziado por este desperdício

Fernando Luiz

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Fases do amor (com prazo de validade)


O frescor
Matinal
O aparecimento
Afinal

O amor
Ocupa
A existência
Sem culpa

O torpor
Da incerteza
Expurgando
A clareza

O bolor
Infesta
A essência
Do que resta

O ardor
Impulsivo
Desespero
Compulsivo

O furor
Inicial
A revolta
Original

O pudor
Perdido
A palavra
Sem sentido

O ardor
Da ferida
A picada
Inserida

O decompor
A falta d´água (vida)
Cada qual
Com sua mágoa

O torpor
Que silencia
A palavra
Que amacia(ria)
  
Indolor (es)
Insensível (eis)
Esconde(m) o amor
Hoje, invisível

Fernando Luiz

terça-feira, 26 de junho de 2012

Hiato


O conjunto a que você pertence
Não permitiu a minha inclusão
Tudo conspira contra
A união psicológica
Que irrefreavelmente
Fomos obrigados a consumar

A homogênea sintonia
Tornou-se patente
Desde os primeiros segundos
Mas todos os fatores
São adversários
Daquilo que temos de mais belo
E mais raro:
A complementaridade

E ao invés de te procurar
Para desaguar em você
Todas as minhas angústias
Todos os meus votos de felicidade
Toda a confirmação
De que te quero bem
Prefiro a mudez
Pratico a mentalização
Das lembranças
Tão vivas
Que ainda pulsam
Dentro de mim

Será sempre assim
Desejando a você o melhor
Que a eternidade
Possa te oferecer

E continuarei assim
Preterindo a presença indesejável
E preferindo o silêncio eloquente
Próprio de quem tem a ciência
Que a imposição de um hiato
É algo simplesmente temporário

Fernando Luiz