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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O silêncio

O grito abafado
De inconformidade
Em primeira instância
Denuncia a interna angústia

Com o passar do tempo
Cansado de gritar - em silêncio -
Minha garganta fraqueja
Sem forças para relutar

A inquietude inicial transforma-se 
Numa aceitação de que não se pode
Comandar a consciência das pessoas
E demovê-las de seus pueris melindres

E mesmo no ardor maior
Mantive a ebulição controlada
Acatando com decência e sem escândalo,
Suportando (em silêncio) a perda que me foi imposta

Fernando Luiz

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Melindre

Copo frágil
Que se quebra
Ao menor ruído
Ou abalo

Assim são
As relações
Que se desgastam
Por motivos pueris

Creia nisso
A solução não é
Evitar pisar em ovos

Não hesite
Compre copos mais resistentes
Selecione relações de melhor valor

Fernando Luiz

sábado, 31 de dezembro de 2011

Esperanças

Eu quero os melhores sorrisos
As melhores companhias
Os melhores momentos
Porque esse é o objetivo da vida

Viver com leveza
Pensar com clareza
E ter a certeza
De que ser feliz é o que importa

Quero em um dia fugaz
Declarar sem mais
Que a paz
Finalmente em meu peito jaz

Que a partir de hoje
Eu inicie a mudança
Que me trará um dia
Depois da tempestade (necessária)
A bonança
Tempos de esperança
Florescem em meu coração
Porque o futuro
É agora
E sem mais
Marcho firme
Em busca de (minha) paz

Fernando Luiz

Auto-Engano

Perdão é algo nobre
Não se ache evoluído
Se as mágoas preenchem
O seu coração contraditório

Julgar e condenar alguém
Por um erro que eu também cometo
É errar duplamente
Pelo julgamento e pela hipocrisia

É justo que se faça uma análise
Se eu realmente evoluí como ser humano
Ou continuo enganando a mim mesmo
Portando as mesmas imperfeições, com roupagens diferentes

Achar-me melhor que ontem
Pode ser um ledo engano
Pois posso ser um versátil pierrot
Que no carnaval da vida, todo dia, troca de máscara

Fernando Luiz

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Soneto Monótono

A poesia é mais
Que retrato de banalidades
Trivial é o poeta
Que cultua a monotonia

A melancolia exacerbada
O amor inalcançável
As amenidades recorrentes
Uma mesmice sem fim

A rotina poética me incomoda
Pois soa falsa a insistência
Em discorrer sobre um tema só

Parece fingimento exaltar eterna alegria
Ou mediocridade passiva, o sofrer eterno
Pois o poeta, assim como o homem, é plural


Fernando Luiz

domingo, 6 de novembro de 2011

Soneto Peçonhento

Cobras são seres
Que agem sorrateiramente
E guardam sua peçonha
Para inocular no momento certo

Assim são algumas pessoas
Amáveis por conveniência
Mas que na primeira contrariedade
Introduzem, sem dó, sua letal substância

A diferença é que
As cobras agem por instinto
E os homens por malícia

O homem não é então, de fato, um ofídio
Tanto não tem controle sobre seu próprio veneno
Que morderá a língua e será sufocado por ele

Fernando Luiz

domingo, 30 de outubro de 2011

Inteligência Emocional

O obscurantismo
Da própria alma
É a pior chaga
Que alguém pode carregar
A pueril preocupação
Com sentimentalismos debilóides
Rascunhos do que seria uma indivudalidade
Na verdade,
Fragmentada pelos próprios devaneios
Perdida em uma realidade paralela
Que só existe na verdade
Em seus sofismas pessoais
E na sua loucura particular

E a cegueira é tão intensa
Que preocupado em exaltar sua condição
De eterno sofredor
Rebaixa aqueles que lhe estenderam a mão
Nos mais críticos momentos
E exalta o fator de angústia
Aquele por quem sempre sofreu
E venerou
Mas que sempre o relegou
A segundo plano

Cuspir no prato que se come
É pensar limpar a própria essência
Do martírio que a consome
Inútil ilusão
Porque o que é do homem
O bicho não come
E até o verme rejeita

E tal bactéria resistente
O martírio se replica
Pois um simples escarro
Não serve para limpar todo o escárnio
Auto-gravado a ferro quente
No próprio espírito

Ilusão de viver se achando
O supra-sumo da intelectualidade
Mas, na verdade
Desprezar o afago da mão amiga
E exaltar o carrasco do dia-a-dia
É atestar
Fracasso
De inteligência
Emocional

Um poema que
Se inteligente emocionalmente
O autor também fosse
Nem escreveria
Pois o silêncio
É a melhor resposta
A quem apedreja
A mão que lhe afaga
...

Fernando Luiz