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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ilha do Mar


Desde sempre em mim
O mar desperta o melhor
Me banhando a alma
Vitalizando-me a essência

É uma quimera morar
Dentro do grandioso mar
Onde ao mergulhar em suas profundezas
Acabe por achar uma Ilha (A Ilha)

Mar que cumpre ciclos
Envia ondas que sofrem periodização
Algumas destas ondas trazem alíquotas de água
Que banharam por instantes a superfície da Ilha
E são nestes momentos
Breves, porém intensos
Que meu coração palpita com vigor
Por sentir toda a paz
Emanada pela sua existência

No retorno da onda ao mar
Abandonando-me
Preencho-me de saudade
Com esperança de um dia segui-la
Para finalmente encontrar
A longínqua Ilha

Ilha bela, porém solitária
Onde já passaram alguns
Incautos navegantes
Que a Ilha recebeu
Com todo amor que poderia
Mas o desespero comandava
O coração destes homens perdidos
Buscavam apenas a salvação
De um iminente naufrágio
Estes homens já naufragavam
Em suas próprias pálidas essências
Antes de encontrarem a Ilha
E continuam o processo 
Mesmo sob seu abrigo
Por nunca entender
O significado da existência
Do encontro entre eles 
E o pequeno pedacinho de terra
Cercado de água (vida)
Por todos os lados

Ao contrário destes insensíveis homens
Eu procuro a Ilha por amá-la
Porque sei que ela é a moradia perfeita
E não apenas um ponto de apoio
De suporte para as minhas egoístas necessidades
Ao habitar o coração da Ilha
Minha obrigação maior:
O comprometimento com a sua existência
Cuidando amorosamente de todos os seus problemas
Envolvido com o intenso amor irradiado por ela
Igualmente me acolhendo e cuidando

Linda Ilha
Sei que um mar nos separa
Mas ao sentar a beira dele
Projeto o nosso encontro
Com uma calma inexplicável sob a luz
Da razão humana
Esperando o momento com paciência
Pois o amor não traz inquietação
E sim paz de espírito
Preenchido por essa paz
Tenho a certeza que um dia
Este mesmo líquido que nos separa
Haverá de, um dia, nos unir
Por nossa comunhão de ideais
Semelhanças existenciais
Que inexoravelmente irão nos aproximar
Pela força das ondas do Mar.

Fernando Luiz

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O silêncio

O grito abafado
De inconformidade
Em primeira instância
Denuncia a interna angústia

Com o passar do tempo
Cansado de gritar - em silêncio -
Minha garganta fraqueja
Sem forças para relutar

A inquietude inicial transforma-se 
Numa aceitação de que não se pode
Comandar a consciência das pessoas
E demovê-las de seus pueris melindres

E mesmo no ardor maior
Mantive a ebulição controlada
Acatando com decência e sem escândalo,
Suportando (em silêncio) a perda que me foi imposta

Fernando Luiz

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Melindre

Copo frágil
Que se quebra
Ao menor ruído
Ou abalo

Assim são
As relações
Que se desgastam
Por motivos pueris

Creia nisso
A solução não é
Evitar pisar em ovos

Não hesite
Compre copos mais resistentes
Selecione relações de melhor valor

Fernando Luiz

sábado, 31 de dezembro de 2011

Esperanças

Eu quero os melhores sorrisos
As melhores companhias
Os melhores momentos
Porque esse é o objetivo da vida

Viver com leveza
Pensar com clareza
E ter a certeza
De que ser feliz é o que importa

Quero em um dia fugaz
Declarar sem mais
Que a paz
Finalmente em meu peito jaz

Que a partir de hoje
Eu inicie a mudança
Que me trará um dia
Depois da tempestade (necessária)
A bonança
Tempos de esperança
Florescem em meu coração
Porque o futuro
É agora
E sem mais
Marcho firme
Em busca de (minha) paz

Fernando Luiz

Auto-Engano

Perdão é algo nobre
Não se ache evoluído
Se as mágoas preenchem
O seu coração contraditório

Julgar e condenar alguém
Por um erro que eu também cometo
É errar duplamente
Pelo julgamento e pela hipocrisia

É justo que se faça uma análise
Se eu realmente evoluí como ser humano
Ou continuo enganando a mim mesmo
Portando as mesmas imperfeições, com roupagens diferentes

Achar-me melhor que ontem
Pode ser um ledo engano
Pois posso ser um versátil pierrot
Que no carnaval da vida, todo dia, troca de máscara

Fernando Luiz

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Soneto Monótono

A poesia é mais
Que retrato de banalidades
Trivial é o poeta
Que cultua a monotonia

A melancolia exacerbada
O amor inalcançável
As amenidades recorrentes
Uma mesmice sem fim

A rotina poética me incomoda
Pois soa falsa a insistência
Em discorrer sobre um tema só

Parece fingimento exaltar eterna alegria
Ou mediocridade passiva, o sofrer eterno
Pois o poeta, assim como o homem, é plural


Fernando Luiz

domingo, 6 de novembro de 2011

Soneto Peçonhento

Cobras são seres
Que agem sorrateiramente
E guardam sua peçonha
Para inocular no momento certo

Assim são algumas pessoas
Amáveis por conveniência
Mas que na primeira contrariedade
Introduzem, sem dó, sua letal substância

A diferença é que
As cobras agem por instinto
E os homens por malícia

O homem não é então, de fato, um ofídio
Tanto não tem controle sobre seu próprio veneno
Que morderá a língua e será sufocado por ele

Fernando Luiz