Duas metades que se procuram
Antes mesmo de se conhecer
Ausência que nunca trouxe angústia
Pois a concorrência das duas vidas
Linhas retas, não paralelas
Cedo ou tarde iria ocorrer
A explosão do sentimento contido
No momento do encontro esperado
Mas que não se tinha pré-ciência de que este era
O exato momento crucial
O mais importante das duas existências
Até que os lábios se tocassem
Homem, pobre ser material
Precisa do impulso da matéria
Para que todas as coisas do espírito
Sejam reveladas
E o toque de dois labios
Revelou o maior de todos os sentimentos
A visão sinalizava a inicial identificação que impulsionava
A audição denunciava a doçura da voz que atraia
O olfato percebia o aroma que encantava
O tato confirmava a química que explodia
E o paladar, destinado a sentir os sabores pela lingua
Fora dominado pela essência do outro lábio que compartilhava o beijo
E é o beijo
A chave
Que abre as portas
Da real felicidade humana:
Sentir o verdadeiro amor compartilhado
Que não reside na matéria, reside no espírito
Fernando Luiz
Um exercício plural da manifestação do "Eu Lírico" (Representação de Múltiplos Personagens Através da Poesia)
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Outdoor
A vedete
é a única vivência
daqueles que sempre
buscam a evidência
Chamar a atenção
sem pudor ou consciência
atitudes que me fazem
perder a paciência
Intolerante, talvez
Mas, não cedo a vez
A quem age com insensatez
O barulho não me convém
Para quem talento tem
Reconhecimento naturalmente vem
Fernando Luiz
é a única vivência
daqueles que sempre
buscam a evidência
Chamar a atenção
sem pudor ou consciência
atitudes que me fazem
perder a paciência
Intolerante, talvez
Mas, não cedo a vez
A quem age com insensatez
O barulho não me convém
Para quem talento tem
Reconhecimento naturalmente vem
Fernando Luiz
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Soneto Contraditório (?)
Eu não sou o poeta das doces palavras
Eu sou o poeta que acusa
Que coloca o dedo na ferida
Que a faz sangrar
Não tenho como objetivo preencher
Sua vida de eufemismos que enganam
Jamais irá ouvir da minha boca o banal elogio
Nem da minha pena lerá a fantasia de que a vida é bela
Eu sou o fantasma do escárnio
Porque a realidade em que vivemos
É um escândalo constante
E sei que quando aponto o indicador
Três dedos voltam, direcionando-se para mim
Então, conclui-se que escrevo mais para a minha própria correção
Fernando Luiz
Eu sou o poeta que acusa
Que coloca o dedo na ferida
Que a faz sangrar
Não tenho como objetivo preencher
Sua vida de eufemismos que enganam
Jamais irá ouvir da minha boca o banal elogio
Nem da minha pena lerá a fantasia de que a vida é bela
Eu sou o fantasma do escárnio
Porque a realidade em que vivemos
É um escândalo constante
E sei que quando aponto o indicador
Três dedos voltam, direcionando-se para mim
Então, conclui-se que escrevo mais para a minha própria correção
Fernando Luiz
terça-feira, 24 de maio de 2011
Correr, Voar, Sonhar...
Olhar distante, pensamento muito mais
As paisagens apreciadas pelo andar ritmado
Conhecendo toda a vizinhança em uma porção de hora
Onde meu corpo conduz meu espírito além
O coração trabalha, bombeando feliz
Compassado por uma atividade que o exige por completo
O cansaço das pernas movimentadas e do pulmão ofegante
É compensado pela minha exclusão do sedentarismo
Corro, vôo e sonho
Percorro até onde me for permitido
Socorro cada célula carente de oxigênio
E ao mesmo tempo que meu corpo se encontra preso à corrida
O espírito está liberto para vaguear por onde quiser
Com o chão prendendo minhas pernas, mas dando asas à minha essência
Fernando Luiz
As paisagens apreciadas pelo andar ritmado
Conhecendo toda a vizinhança em uma porção de hora
Onde meu corpo conduz meu espírito além
O coração trabalha, bombeando feliz
Compassado por uma atividade que o exige por completo
O cansaço das pernas movimentadas e do pulmão ofegante
É compensado pela minha exclusão do sedentarismo
Corro, vôo e sonho
Percorro até onde me for permitido
Socorro cada célula carente de oxigênio
E ao mesmo tempo que meu corpo se encontra preso à corrida
O espírito está liberto para vaguear por onde quiser
Com o chão prendendo minhas pernas, mas dando asas à minha essência
Fernando Luiz
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Soneto da(s) Verdade(s)
Mais uma vez você joga
E diz ser aquela que realmente ama
Me acusando de ser um mero poeta (para você é alguém passivo e contemplativo)
Enquanto você estaria lutando pela sobrevivência (mas o que realmente fez para manter vivo o que nos unia?)
Mais uma vez você joga, não a critico, apenas lamento (por nós)
Preferia que não jogasse, pois se diz feliz sem o ser
E no seu íntimo você sabe disso
Não é feliz porque ainda joga e porque não me tem (assim como eu também não sou, por não te ter)
E o meu jogo não tem dissimulações (então não é um jogo)
Eu só falo a verdade, embora não o fiz em todos os momentos
Mas desde o momento crucial, apenas verdades falo
Verdades para o bem ou para o mal
Não importa, são todas verdades e eu ainda te amo (a primeira maior verdade)
E se escrevo poesias para ti, é porque meu coração ainda chora (a segunda maior verdade)
Fernando Luiz
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Soneto Falso-Hipócrita
O pré-conceito é inerente ao ser humano
Costumamos rotular o comportamento de alguém
Por aquilo que este demonstra na maioria das vezes
Em que estamos com ele face a face
O preconceito se manifesta
Quando esquecemos que uma pessoa
Tem várias ações dependendo do estímulo
Não sendo algo sem vida e apresentando uma única resposta a todos os fenômenos
Portanto, se você é uma pessoa espirituosa e bem-humorada
E quiser falar de coisas sérias
Não tenha constrangimento, nem se ache hipócrita
Na realidade, você se enquadra na classe dos "falsos-hipócritas"
Os superficiais estereotipam você, vendo hipocrisia na falta de um comportamento único
Mas você se conhece melhor que ninguém, para afirmar: "eu sou plural"
Fernando Luiz
Costumamos rotular o comportamento de alguém
Por aquilo que este demonstra na maioria das vezes
Em que estamos com ele face a face
O preconceito se manifesta
Quando esquecemos que uma pessoa
Tem várias ações dependendo do estímulo
Não sendo algo sem vida e apresentando uma única resposta a todos os fenômenos
Portanto, se você é uma pessoa espirituosa e bem-humorada
E quiser falar de coisas sérias
Não tenha constrangimento, nem se ache hipócrita
Na realidade, você se enquadra na classe dos "falsos-hipócritas"
Os superficiais estereotipam você, vendo hipocrisia na falta de um comportamento único
Mas você se conhece melhor que ninguém, para afirmar: "eu sou plural"
Fernando Luiz
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Soneto do Sofrimento Antecipado
Estamos vivos, pensamos e existimos: fato
Porém, há clara diferença entre viver e existir
Viver é povoar pensamentos e ações com propósitos evolutivos
Existir apenas, é deixar a vida em metabolismo basal
Pior do que somente existir, é viver em constante medo
É entregar-se ao sofrimento antecipado
Estado depressivo que te induz a crescente negativismo
Enferrujando o corpo e entrevando a alma
O trabalho é a chave que salva
Nos movimenta os tecidos, oxigenando as células
Limpando o espírito, expurgando suas chagas
Caro amigo, sofrer por antecipação
É considerar-se mortificado peru, diante dos talheres gulosos em uma ceia
Onde a inércia te fará ser engolido pelos turbilhões da vida
Fernando Luiz
Porém, há clara diferença entre viver e existir
Viver é povoar pensamentos e ações com propósitos evolutivos
Existir apenas, é deixar a vida em metabolismo basal
Pior do que somente existir, é viver em constante medo
É entregar-se ao sofrimento antecipado
Estado depressivo que te induz a crescente negativismo
Enferrujando o corpo e entrevando a alma
O trabalho é a chave que salva
Nos movimenta os tecidos, oxigenando as células
Limpando o espírito, expurgando suas chagas
Caro amigo, sofrer por antecipação
É considerar-se mortificado peru, diante dos talheres gulosos em uma ceia
Onde a inércia te fará ser engolido pelos turbilhões da vida
Fernando Luiz
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